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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Mais um excelente artigo de António Pedro Vasconcelos


1. A nomeação de Tiago Craveiro, conhecido no meio como o "cachecol do Porto", para assessor de Fernando Gomes na FPF (um mero tirocínio para chegar a secretário-geral) é uma provocação, não apenas ao Benfica, mas a todos os clubes que se batem pela verdade desportiva. 

No ano passado, depois de, na época anterior, o Benfica ter sido descaradamente prejudicado pelas arbitragens, Vieira decidiu, num gesto de pacificação, não comentar as arbitragens, e esse silêncio foi aproveitado para branquear um campeonato viciado. 

O Benfica não pode deixar que a boa fé do seu presidente seja usada contra os interesses do clube. É altura de concluir que o benefício da dúvida dado a FG acabou. 

2. Em Itália, a Justiça desportiva voltou a atuar. Num país que foi, e ainda é, o berço da Máfia, não admira que a corrupção campeie em todas as áreas, e por maioria de razão no futebol, que envolve muito dinheiro. 

O problema em Portugal não é da corrupção (que existe onde houver homens, e estiverem em jogo dinheiro e poder), mas da impunidade da corrupção. 

Em Itália, a Justiça desportiva funciona. 

3. Portugal tem 4 dos melhores treinadores do Mundo: Mourinho, Fernando Santos, Jorge Jesus e José Peseiro. 

Os dois primeiros já passaram pelo Benfica, mas foram dispensados. JJ, felizmente, mantém-se. 

JP, sete anos depois de ter saído do Sporting (onde esteve à beira de ganhar tudo), acaba de ser contratado para substituir Leonardo Jardim no SC Braga - uma forma de ver finalmente reconhecido o seu valor emPortugal. 

4. A “equipa das quinas” mais parece “a equipa da esquina”. 

Depois de Scolari e Queiroz, a FPF continua a não acertar com o treinador. 

Os portugueses bem precisavam de uma injeção de autoestima, mas a seleção de Bento não convence ninguém e o comportamento da equipa não ajuda. 

Resta-nos a Grécia, um povo com quem devemos ser solidários (mesmo se nos roubou o Euro, em 2004).

Se falharmos, por excesso de confiança e escassez de talento, vou torcer pelos gregos, que são comandados por um grande senhor do futebol: Fernando Santos. Se não nos sair a taluda, que nos saia a terminação.» 

- António Pedro Vasconcelos, jornal Record, 7 de Junho de 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Grande Texto de António Pedro Vasconcelos


No espaço de poucos dias, Pinto da Costa referiu-se ao Benfica, sem o nomear (o simples facto de o nomear parece que lhe queima a língua) como sendo “o clube do tempo do fascismo”, e chamou “burros” aos benfiquistas, sem nunca os nomear (a sigla do clube só é usada quando os adeptos e jogadores precisam de se animar com uns cânticos onde chamam nomes às mães dos adeptos do clube dos mouros), a propósito da nomeação de Pedro Proença para apitar a final da Champions. O país não se indignou. A imprensa desportiva assobiou para o lado. O estatuto de impunidade dá o direito a PC de insultar quem quer, de caluniar quem lhe apetece e de incitar ao ódio e à violência sem que ninguém o incomode. 
Uns dias depois, no Dragão Caixa, o Benfica sagrou-se campeão de basquetebol, vencendo com dificuldade mas com mérito um adversário de grande qualidade, o que deu mais brilho à vitória. No final de um jogo em que o árbitro não interferiu no resultado, os treinadores cumprimentaram-se, como mandam as regras do fair play. 
Mas, quando o jogo acabou, a culminar um clima de insultos e intimidação, os ânimos dos adeptos do FCP exaltaram-se. Agrediram os jogadores, levando a que a polícia não conseguisse garantir a ordem e a segurança e que a Taça fosse entregue ao vencedor nos balneários. Ao que se diz, Carlos Lisboa, treinador do Benfica, não terá resistido a responder às provocações e aos insultos com um gesto menos elegante. Tanto bastou para que o chefe do FCP entrasse no ringue e virasse o ónus da violência para o clube vencedor (como fizera com os famosos túneis da Luz), e vituperasse o comportamento da polícia que tentou, em vão, meter os adeptos do FCP na ordem. 
No dia seguinte, Luís Filipe Vieira decidiu finalmente responder ao chefe do FCP num discurso duro, pondo em relevo factos que são conhecidos da opinião pública. O que fizeram a maioria dos comentadores (incluindo alguns que se dizem benfiquistas!)? Meteram tudo no mesmo saco: os insultos de PC e o discurso de LFV, o gesto de CL e a violência dos adeptos do FCP. O medo impera. E o servilismo também.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Tão simples que é: A-PVasconcelos - Momento do Benfica

(...) É por ter criado tão altas expectativas, que os benfiquistas não se conformam com a possibilidade de voltar a perder o campeonato e disparam as suas setas sobre o alvo mais fácil: o treinador. (...) Ora, Jesus é um dos quatro melhores treinadores portugueses e o melhor que o Benfica teve desde a primeira época de Erickson. (...) E é bom lembrar que a equipa que perdeu em Alvalade (com a arbitragem de Artur Soares Dias), foi a mesma que, em 27 dias, ganhou ao Beira-Mar, fez duas exibições brilhantes com o Chelsea (a única equipa inglesa na Champions e que, portanto, não podia ser eliminada), afastou o FCP da Taça da Liga, empatou em Olhão, venceu o Braga, e teve 65% de posse de bola em Alvalade. Quanto (...) às deficiências táticas e na comunicação, que eu saiba, não foram as limitações de Vítor Pereira como treinador nem a boçalidade das suas afirmações que impediram o FCP de estar à frente do campeonato. 
As razões porque o Benfica se arrisca a perder o campeonato são outras: uma estrutura amadora ao nível da direcção desportiva e da informação/comunicação, que não soube acautelar e muito menos contrariar os efeitos da pressão sobre as arbitragens e a disciplina da FPF (à qual Vieira deu o seu apoio “incondicional”), que coincidiu com a recusa da proposta da Olivedesportos, e que voltaram a condicionar os resultados neste final da época: em Coimbra, na Luz com o FCP, em Olhão e em Alvalade. Sem falar do castigo inédito de 2 jogos a Aimar, que o afastou cirurgicamente do último dérbi. 
Os “abutres”, que aparecem sempre nestas alturas, preferem atirar a toalha ao chão e pedir a cabeça do treinador. Mas, o símbolo do Benfica é a águia, e não o abutre, e, se não houver arbitragens viciadas, tudo estará em aberto até à última jornada. 
Com eleições à porta, há dois compromissos, por isso, que Vieira deve assumir: respeitar o contrato que fez com o seu treinador e não renovar o contrato com a Olivedesportos. O próximo Presidente, que poderá ser ele, não pode ficar amarrado a decisões que, de outro modo, comprometeriam a sua margem de manobra e o futuro do clube. A-PV,
in SOL